A história da quimioterapia moderna: Como a medicina transformou armas químicas em remédios capazes de curar o câncer.

A história da quimioterapia moderna começa ironicamente em um dos eventos mais infames da Segunda Guerra Mundial. No dia 2 de dezembro de 1943 diversos navios aliados esperavam para descarregar no porto de Bari, no sul da Itália. Dentre eles, o navio americano US Liberty Ship John Harvey, secretamente carregado com toneladas do agente mostarda, para ser usado como arma química na campanha aliada na Itália.

Neste dia, um ataque surpresa da força aérea alemã afundou 28 navios ancorados no porto, dentre eles o John Harvey, no evento conhecido como “pequeno Pearl Harbor”. A fumaça tóxica liberada pelo navio em chamas expôs centenas de militares e moradores de Bari ao tóxico agente mostarda.

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O agente mostarda é uma devastadora e cruel arma química que age provocando lesões de pele, olhos, cegueira, edema pulmonar, entre outros, podendo levar à morte se a exposição for intensa. De acordo com a convenção de armas químicas em 1997, seu uso foi banido em todo o planeta.

Após o ataque, dois farmacologistas norte-americanos foram chamados para investigar os efeitos do agente mostarda em humanos, Louis S. Goodman e Alfred Gilman. Dentre as catastróficas agressões ao organismo, os pesquisadores identificaram uma dramática redução na quantidade de células brancas sanguíneas.

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Nos anos seguintes, estes pesquisadores desenvolveram derivados do agente mostarda com o objetivo de tratar linfomas e leucemias, cânceres derivados das células brancas sanguíneas. Suas descobertas salvaram milhares de vidas e abriram portas para o desenvolvimento de toda uma nova classe de medicamentos para o tratamento de câncer.

A medicina transformou uma molécula química feita para matar em algo capaz de curar.

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