É realmente necessário fazer toque retal e PSA para detectar o câncer de próstata ? Talvez não.

Novembro Azul ou Movember é uma campanha realizada no mês de novembro para a conscientização sobre a saúde do homem. Aproveito a oportunidade para discutir um tema importante e controverso. É realmente necessário fazer o rastreamento para câncer de próstata?

movember

É sabido que o tratamento do câncer é mais bem-sucedido quando feito em fases precoces, quando a doença está pequena e a chance de cura é maior. Tomando isto como base, diversos métodos de rastreamento foram desenvolvidos com o intuito de diagnosticar o câncer antes do aparecimento dos sintomas. Este é o caso da mamografia no câncer de mama, o exame de papanicolau do colo uterino para o câncer de útero, da colonoscopia para o câncer de intestino e da tomografia de tórax para fumantes pesados no câncer de pulmão.

E o exame do toque prostático e dosagem de PSA? São estes exames também efetivos no rastreamento do câncer de próstata?

A resposta correta seria sim, estes exames se prestam para diagnosticar o câncer de próstata em fase precoce. No entanto, a pergunta mais importante é: “O rastreamento do câncer de próstata reduz a mortalidade para esta doença?”.

A resposta para essa pergunta é “talvez não”. Tanto o rastreamento usando o PSA isoladamente quanto usando o toque retal e o PSA não foram capazes de reduzir significativamente a mortalidade por câncer de próstata. Em contrapartida, o tratamento do câncer de próstata envolve tratamentos agressivos, como a retirada completa da próstata ou a radioterapia prostática. Estes tratamentos têm efeitos colaterais importantes como a incontinência urinária e a impotência sexual, que comprometem de maneira importante a qualidade de vida desses homens.

Pesando os riscos e os benefícios do rastreamento e dos tratamentos desencadeados por eles hoje, a maioria das sociedades médicas não recomenda o rastreamento do câncer de próstata para pacientes que não tenham risco aumentado para o desenvolvimento desta doença.

Então, por que o rastreamento para câncer de próstata não é tão efetivo quanto para outras doenças? E quem são os homens com risco de câncer de próstata mais elevado que devem fazer o rastreamento?

Este é um tema controverso. Vou abordar com calma essas perguntas num post futuro.

Neste contexto, é importante que o homem esteja bem informado e acompanhado por um profissional médico com experiência em câncer de próstata, como o urologista ou o oncologista, para a tomada da melhor decisão para a sua saúde.

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