A indução da menopausa no tratamento do câncer de mama. Funciona? Qual paciente deve receber esse tratamento? – Resultados do estudo SOFT

Um dos primeiros tratamentos hormonais para o câncer de mama, praticado no século XIX, era a supressão da função ovariana com a retirada dos ovários. Observava-se que algumas pacientes apresentavam redução do tamanho dos tumores e melhora da qualidade de vida.

Hoje sabe-se que em torno de 2/3 dos cânceres de mama apresentam a expressão do receptor de estrogênio ou progesterona. Nesses tumores a exposição a esses hormônios causa crescimento do tumor.

Existem hoje duas estratégias para inibir a estimulação hormonal. A primeira é o bloqueio do receptor de estrogênio com tamoxifeno e a segunda a inibição da síntese de estrogênio pelos inibidores de aromatase. A segunda estratégia porém só pode ser feita em mulheres na menopausa, visto que os inibidores conseguem suprimir a síntese de hormônios apenas no tecido adiposo e não no ovário.

Uma terceira estratégia foi apresentada recentemente, a indução da menopausa em mulheres jovens. Um estudo recente do International Breast Cancer Study Groupd (IBCSG) chamado SOFT, apresentado no San Antonio Breast Cancer Symposium, testou a adição de supressão da função ovariana com goserelina em combinação com tamoxifeno contra goserelina em combinação com inibidor da aromatase contra tamoxifeno isolado. Nesse estudo, mulheres jovens, com menos de 35 anos, apresentaram melhores resultados com a supressão ovariana em combinação com inibidor da aromatase do que com os demais esquemas.

Clique aqui para ver a apresentação do estudo SOFT.

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Vale ressaltar, no entanto, que apesar do ganho em termos de redução de mortalidade houve importante aumento da toxicidade. Esse tratamento faz com que mulheres jovens fiquem com níveis hormonais semelhantes a mulheres na pós-menopausa e deve ser reservado para pacientes que realmente tenham um risco aumentado de recidiva da doença.

A decisão de tratamento deve sempre ser esclarecida e compartilhada com o oncologista. Essa é mais uma opção que se apresenta e pode ser utilizada em casos selecionados.

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