Recentemente Angelina Jolie foi a público anunciar que havia feito uma cirurgia para a retirada dos dois ovários pelo risco de desenvolvimento de câncer de ovário. Dois anos antes ela retirou ambas as mamas pelo risco aumentado que tinha de câncer de mama por apresentar a mutação do gene BRCA1.

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Angelina Jolie foi submetida a mastectomia e retirada dos ovários como tratamento preventivo de câncer por apresentar a mutação do gene BRCA1

Genes são partes de nosso DNA, o “manual de instrução” do nosso corpo. São eles que dizem às células que proteínas devem ser feitas e como o organismo deve funcionar. Nós temos em torno de 24 mil genes agindo nas mais diversas atividades que o corpo tem que desempenhar.

Embora seja um evento raro, de tempos em tempos ocorrem mutações em alguns genes. Mutações são erros que passam mensagens erradas para as células que começam a agir de maneira desregulada, eventualmente tornando-se um câncer. Mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 aumentam muito o risco do desenvolvimento de câncer de mama e ovário. O risco, ao longo da vida, de câncer de mama em pessoas com essa mutação varia de 55 a 85%, enquanto o risco de desenvolver câncer de ovário é de 35 a 46%, o que é considerado extremamente alto, visto a gravidade dessas doenças.

Existem mutações que são adquiridas com o tempo e causadas por agentes externos, como radiação ou cigarro. No caso do BRCA este não é o caso, estes genes são hereditários, isto é, são passados de pai ou mãe para filha. Logo é comum observar-se vários casos de câncer na família de pessoas com mutação do BRCA. Na família de Angelina Jolie sua mãe teve câncer de mama e depois faleceu de câncer de ovário, sua avó faleceu de câncer de ovário e uma tia faleceu de câncer de mama.

Felizmente essas mutações são raras na população em geral, em torno de 0.25%. Não há a necessidade de se fazer o teste caso não haja uma história forte de câncer na família. É importante notar que esses genes são mais frequentes em algumas populações, em geral onde há casamentos consanguíneos ou isolamento geográfico. Por exemplo, nota-se uma maior frequência destas mutações em judeus de origem europeia (2.5%), moradores da Islândia (0.6%) e moradores da parte francesa do Canadá.

Para as pessoas que possuem o gene BRCA1 ou BRCA2 mutado existem algumas estratégias recomendadas para a redução de risco. No caso do câncer de mama o rastreamento deve ser iniciado cedo, aos 25 anos com mamografia e ressonância magnética anual. Para câncer de ovário também se recomenda a ultrassonografia transvaginal do útero e ovários duas vezes por ano e a dosagem do CA-125 no sangue, uma substância que está aumentada na maior parte dos cânceres de ovário.

E quanto à cirurgia? Vale a pena?

Por mais radical que possa parecer este é o único tratamento que se mostrou eficaz em reduzir o risco de morte por câncer em mulheres com mutação do BRCA. Recomenda-se oferecer a retirada das mamas em idades entre 25 e 35 anos e dos ovários aos 40 anos, ou antes, caso a mulher já tenha tido filhos e não deseje mais engravidar. Esta é uma decisão difícil e deve ser discutida e pesados os riscos e benefícios deste tratamento, em particular quando ele deve ser feito, visto que influencia em muito a vida pessoal e familiar dessas mulheres.

Angelina Jolie optou por fazer ambas as cirurgias e tomou a atitude corajosa de expor seu caso na mídia. Isto chamou a atenção para estas doenças graves e com certeza ajudará muitas mulheres na mesma condição a se protegerem e tomarem suas decisões de maneira consciente.

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