Mesotelioma é um tipo muito raro de tumor que pode aparecer nas peles que recobrem o pulmão (conhecida como pleura), o coração (conhecida como pericárdio) e o abdome por dentro (conhecida como peritônio). Em raros casos pode aparecer nas peles que recobrem os testículos.

O principal fator de risco para o desenvolvimento de mesotelioma é a exposição ao asbesto. Este é considerado um risco ocupacional, relacionado ao trabalho. Antigamente o principal grupo de risco eram trabalhadores que aplicavam jatos de água e areia (que liberam asbesto) para limpar cascos de navios, o que hoje é proibido pelo risco de desenvolvimento de doenças. O asbesto também está presente na indústria de fabricação de isolantes térmicos e amianto. Porém não há risco aumentado de desenvolvimento de doenças se você vive em casas que tenham telhas de amianto, apenas durante sua fabricação o asbesto é liberado.

Fotografia de uma particula de asbesto visualizada num microscópio eletrônico.

Fotografia de uma particula de asbesto visualizada num microscópio eletrônico.

O mesotelioma da pleura é mais comum que nas demais localizações (em torno de 70% dos casos) e também mais relacionado à exposição ao asbesto. O mesotelioma de peritônio vem em segundo lugar em frequência (10 a 15% dos casos). Há alguns anos a atenção para os cânceres do peritônio aumentou por conta da apresentadora Hebe Camargo ter sido diagnosticada com um câncer nessa localização.

O mesotelioma em geral se apresenta com sintomas inespecíficos, podendo ser falta de ar, tosse, refluxo, dor abdominal, acúmulo de líquidos na pleura ou no abdome entre outros. A doença é em geral descoberta por um exame de imagem, como uma radiografia ou uma tomografia computadorizada, feitos para investigar esses sintomas. Para se chegar ao diagnóstico final é necessária a realização de uma biópsia, isto é, a retirada de um fragmento do tumor para análise em laboratório.

O tratamento do mesotelioma é feito de acordo com a localização e extensão da doença. Quando a doença abdominal está restrita a um pequeno espaço opta-se por fazer a cirurgia para a retirada do tumor. Em alguns casos pode-se também complementar esse tratamento com quimioterapia intraperitoneal, os medicamentos são injetados diretamente dentro do abdome, onde o tumor estava. Caso o mesotelioma apresente-se espalhado pelo abdome, não há como se fazer uma cirurgia com intuito de curar a doença. Neste caso o melhor tratamento é a quimioterapia, com o objetivo de reduzir o mesotelioma e controlá-lo pelo maior tempo possível (veja aqui uma matéria sobre o uso de quimioterapia). Neste caso os medicamentos são aplicados na veia e chegam ao tumor através do sangue. A quimioterapia de escolha é combinação de dois medicamentos, sendo um sempre o Permetrexed, um tipo de medicamento citotóxico (clique aqui para ver uma matéria sobre os tipos de quimioterapia).

No mesotelioma da pleura, a mesma estratégia é adotada. Em caso de doença localizada opta-se pela retirada do tumor pela cirurgia. No caso do tórax, no entanto, há a recomendação de se fazer um tratamento de consolidação com quimioterapia na veia e radioterapia local. Assim como no caso do mesotelioma abdominal, caso não seja possível a cirurgia, opta-se por fazer quimioterapia na veia com o mesmo esquema, baseado em permetrexed, em geral associado a outro medicamento da classe das platinas.

Durante todo o tratamento é importante estar próximo do seu médico e da equipe. Estar bem informado e acompanhado é fundamental para se tomar as melhores escolhas de tratamento nos melhores momentos.

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