Um novo medicamento acaba de receber aprovação para o uso na prática clínica nos Estados Unidos. Palbociclib é um medicamento que age por mecanismo de ação totalmente novo, e promete revolucionar o tratamento do câncer de mama que apresenta receptores hormonais.

Em torno de 65% dos cânceres de mama apresentam receptores para hormônios femininos, ou seja, eles crescem estimulados pelos próprios hormônios normais das mulheres. Um dos tratamentos mais efetivos usados atualmente é bloquear a fabricação desses hormônios (alguns exemplos destes medicamentos são o Anastrozol, o Letrozol e o Exemestano).

Palbociclib

Palbociclib é uma nova opção de tratamento para mulheres com câncer de mama.

Pesquisadores descobriram que nesse tipo de câncer existe uma alteração importante da regulação da multiplicação celular, o que faz as células do câncer crescerem e se multiplicarem mais rapidamente. Em laboratório, cientistas identificaram que para que a proliferação das células do câncer ocorresse era necessária a regulação da multiplicação das células pelas CDK (Cyclin Dependente Kinase), que são um tipo de proteína normal do corpo. Sem o funcionamento da CDK do tipo 4/6 a célula do câncer interrompia a multiplicação e acabava morrendo.

Os médicos, em conjunto com cientistas de laboratório, desenvolveram então um medicamento que agia inibindo a ação da CDK4/6, o Palbociclib (veja aqui mais informações sobre o medicamento, em inglês). Num estudo com pacientes, o uso de Palbociclib duplicou o tempo de controle do câncer de mama quando tomado em conjunto com Letrozol. Em mulheres que apresentaram recidiva de câncer de mama com receptores hormonais, a combinação dessas duas medicações conseguiu controlar a doença por quase dois anos, um resultado considerado excelente em comparação com as medicações anteriormente utilizadas nesses casos. Vale lembrar que mesmo depois que estes remédios parem de fazer efeito existem muitas outras opções de tratamento capazes de prolongar o controle desta doença por muitos anos. Outra grande vantagem dessa classe de remédios é seu baixo perfil de efeitos colaterais, que não é tão difícil de tolerar quanto o da quimioterapia, e o fato de serem administrados em comprimidos.

Existem hoje mais dois medicamentos da mesma classe sendo desenvolvidos e provavelmente serão úteis não só em câncer de mama como em outras doenças também.

O tratamento do câncer de mama evoluiu muito nos últimos anos, o índice de cura aumentou incrivelmente com as novas técnicas cirúrgicas, a radioterapia e os novos medicamentos. Com o progresso da medicina, pacientes que antes tinham poucas opções de tratamento hoje conseguem viver muitos anos com qualidade de vida. Mesmo nas mulheres que têm doença metastática e não podem ser curadas, muitas novas opções de tratamento estão disponíveis. O Palbociclib é mais um medicamento que vem somar no tratamento e controle do câncer.

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