Nos últimos anos aprendemos muito sobre a biologia e comportamento do câncer. Vários estudos e pesquisas colaborativas entre diferentes laboratórios permitiram com que entendêssemos melhor como o câncer funciona e assim novos medicamentos foram desenvolvidos.

Um dos estudos mais importantes foi o The Cancer Genomic Atlas (TCGA), que estudou, e continua estudando, as alterações genéticas do câncer, numa iniciativa semelhante ao estudo do genoma humano normal que aconteceu há algum tempo atrás (clique aqui para visitar o site do TCGA).

PALOMA-3, novo estudo comprova a eficiência do uso de Palbociclib para o tratamento do câncer de mama hormônio positivo.

PALOMA-3, novo estudo comprova a eficiência do uso de Palbociclib para o tratamento do câncer de mama hormônio positivo.

Em quase 80% das mulheres que têm câncer de mama é possível identificar a presença do receptor hormonal nas células do tumor (veja aqui uma matéria sobre os 4 tipos de câncer de mama). Isto faz com que o câncer cresça estimulado pelos hormônios femininos normais. Existem hoje algumas estratégias para impedir esse crescimento, uma é bloquear a fabricação de hormônios com os medicamentos da classe dos inibidores da aromatase (como o Letrozol, nome comercial Femara; o Anastrozol, nome comercial Arimidex; o Exemestano, nome comercial Aromasin, ou o Fulvestran, nome comercial Faslodex). A segunda estratégia é bloquear o receptor do hormônio usando o medicamento Tamoxifeno.

Uma das alterações mais importantes do câncer de mama hormônio positivo, recentemente identificada, foi a função muito aumentada de proteínas que estimulam as células a crescer e se multiplicar, conhecidas como CDK4 e 6 (Cyclin-Dependent Kinase). Estas são partes normais da célula humana, mas que neste tipo de tumor funcionam muito mais rápido do que deveriam, fazendo o tumor crescer.

O Palbociclib (nome comercial Ibrance) é um medicamento que age justamente bloqueando a ação destas proteínas. Os médicos e pesquisadores, depois de verificarem sua segurança e grande eficácia em laboratório, iniciaram uma série de estudos com pacientes, estes estudos foram “apelidados” de PALOMA (que significa pomba, em espanhol, mas é também uma analogia com o nome do medicamento) . No terceiro estudo desta série, o PALOMA-3, o medicamento foi oferecido, em conjunto com o Fulvestran, para mulheres com câncer de mama já espalhado para outros órgãos, que tivessem sido tratadas com pelo menos dois outros medicamentos e que, mesmo assim, apresentassem crescimento do tumor.

Os resultados foram impressionantes, o controle do câncer de mama mais do que duplicou quando o os dois medicamentos (Fulvestran e Palbociclib) são feitos em conjunto. Na realidade o tempo de controle quase que triplica com a combinação. Atualmente este medicamento está aprovado para uso nos Estados Unidos e encontre-se em fase de aprovação na Europa.

Mais uma vez o conhecimento da biologia da doença e o trabalho sério e comprometido de pesquisadores, médicos e pacientes mostrou-se eficaz no desenvolvimento de mais um importante medicamento no tratamento do câncer.

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