Melhoras expressivas no tratamento do câncer de pulmão nos últimos anos – A descoberta das mutações.

Nos anos 1970 todas as pessoas com câncer de pulmão eram tratadas da mesma maneira. Isto acontecia porque ainda não se conhecia as diferentes mutações e alterações nas células tumorais. Além disso, naquela época, não havia muitos medicamentos disponíveis. Isto fazia com que o tratamento fosse muito pouco eficaz e as pessoas vinham a falecer em poucos meses, mesmo fazendo corretamente o tratamento.

Quando se usava apenas o microscópio o câncer de pulmão era dividido de acordo com sua aparência. A divisão ficava entre câncer de pulmão de pequenas células (10% dos casos) e câncer de pulmão não-pequenas células. Este segundo grupo ainda era divido em cânceres que vinham da via respiratória (escamoso) ou das glândulas do pulmão (adenocarcinoma).

Com o passar dos anos novas substâncias foram sendo desenvolvidas e, entre os anos 1980 e 2000, entramos numa nova fase de tratamento, onde dois medicamentos eram feitos em combinação. Isto aumentou bastante o tempo de controle da doença. Notou-se também que os tipos diferentes de cânceres, vistos ao microscópio, deveriam ser tratados com medicamentos diferentes. Nesta época havia três tipos de tratamento para câncer de pulmão (com dois medicamentos combinados), um para o câncer de pequenas células, uma para o câncer escamoso e um para o adenocarcinoma.

Adenocarcinoma do pulmão.

Adenocarcinoma do pulmão.

Carcinoma de pequenas células do pulmão.

Carcinoma de pequenas células do pulmão.

Carcinoma de grandes células do pulmão.

Carcinoma de grandes células do pulmão.

No entanto depois da descoberta das alterações moleculares do câncer de pulmão foi conseguido um grande avanço no controle desta doença. Um estudo internacional, conhecido com Lung Cancer Molecular Consortium (leia o artigo aqui), avaliou mais de 1000 pessoas com adenocarcinoma do pulmão. Ao microscópio, todas estas pessoas tinham uma doença que era parecida, no entanto quando se avaliou o perfil molecular os resultados foram muito diferentes. Em 64% das pessoas foi identificada alguma alteração genética conhecida, como nos genes EGFR, ALK, NRAS, etc. E a boa notícia é que para uma grande parte dessas alterações existem medicamentos que podem ser usado para bloquear o efeito delas, como o gefitinib, o erlotinib e o afatinib no câncer com mutação do EGFR; ou o crizotinib no câncer com translocação do ALK (leia mais sobre o crizotinib aqui). Isto também deu um “mapa” para que os pesquisadores desenvolvam outros medicamentos para as outras mutações, onde ainda não existem remédios, como no caso do NRAS. Para os pacientes sem mutação ainda há muito trabalho de laboratório a ser feito, é bastante provável que existam mutações que a ciência ainda não conhece. Pesquisas estão sendo feitas para tentar identificá-las.

A descoberta dessas mutações melhorou dramaticamente o controle do câncer de pulmão, que passou de alguns meses da década de 1970, para anos, com os tratamentos atuais.

Somado a isso estão sendo desenvolvidos os medicamentos estimuladores do sistema imunológico, como o Pembrolizumab e o Nivolumab (leia mais aqui), que também aumentaram o tempo de controle da doença.

Estamos vivendo um momento de muitas descobertas e de desenvolvimento de novos medicamentos. A compreensão da diversidade do câncer (leia mais aqui) associada aos novos medicamentos continuará a melhorar muito os tratamentos dos diversos tipos de câncer.

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