Conheça um tipo incomum de câncer, o Carcinoma de Sítio Primário Desconhecido.

E quando não se descobre de onde o câncer apareceu? Como tratar esta pessoa?

Embora não se ouça muito falar deste tipo de câncer, o Carcinoma de Sítio Primário Desconhecido não é uma doença tão rara. Estima-se que corresponda a 3 a 5% de todos os cânceres.

É mais correto classificar o Carcinoma de Sítio Primário Desconhecido não como uma doença única, mas como um grupo de doenças, que tem como característica similar o fato de não se identificar de onde apareceram. Normalmente se apresentam como tumores espalhados pelos linfonodos, ou ossos e/ou órgãos como o fígado ou pulmão. Porém quando se observa esses tumores no microscópio eles não se parecem com tumores que se originam desses órgãos e não se acha o local de onde surgiram.

Novas estratégias para o tratamento do Carcinoma de Sítio Primário Desconhecido.

Novas estratégias para o tratamento do Carcinoma de Sítio Primário Desconhecido.

 

Existem dois grandes grupos de doenças no Carcinoma de Sítio Primário Desconhecido: (1) um grupo onde a doença tem características que sugerem de onde ela tenha se iniciado, como, por exemplo, uma mulher que tenha um gânglio na axila que se parece com câncer de mama no microscópio, mas onde não se acha nenhum tumor na mama; ou um paciente fumante que tenha um gânglio no pescoço que se parece com tumor de boca, mas não se acha nada na cavidade oral. E (2) um segundo grupo onde o tumor não se parece em nada com nenhuma parte do corpo, descrito como um carcinoma indiferenciado pelo médico patologista que examina o tumor no microscópio.

Nestes casos a primeira medida a ser tomada é um exame detalhado de sangue e de imagem com tomografias ou ressonâncias. O PET/CT pode ser também útil na avaliação inicial. No caso da mulher em que se suspeita de câncer de mama, a mamografia deve ser feita. E no caso do homem onde se suspeita de câncer de boca um exame de endoscopia e laringoscopia, para olhar com cuidado todos os possíveis locais onde o tumor pode ter se iniciado. Quando se descobre o local de origem o mistério é resolvido e a pessoa é tratada de acordo esse resultado. Nos casos onde não se acha o tumor inicial, mas é muito provável a sua a origem, o tratamento é feito de acordo com essa suspeição. Nos exemplos anteriores essas pessoas seriam tratados como tendo um câncer de mama e como tendo um câncer de boca.

O maior problema ocorre quando os exames não dão nenhuma pista de onde o tumor começou. Os pesquisadores acham que isto ocorre por dois motivos principais. O primeiro motivo seria que esses tumores são muito indiferenciados, isto significa que eles foram perdendo as características dos locais onde eles surgiram, se tornando uma espécie de célula “genérica”. Assim dizer de onde eles apareceram é muito difícil. O segundo motivo seria por conta do sistema imunológico que conseguiu combater e destruir o tumor no local onde ele apareceu, mas não conseguiu combater as metástases.

Então como tratar essas pessoas?

Antigamente usava-se a lógica de usar medicamentos que funcionam na maioria dos Carcinomas, usando combinações de quimioterapias. Isto surtia algum efeito, mas evidentemente os resultados não eram tão bons como quando o tumor dava dicas de onde tinha começado e o tratamento era mais específico.

Hoje existem testes moleculares que podem ser usados para se avaliar o DNA do tumor e buscar um diagnóstico mais preciso. Estes exames não olham apenas a aparência do tumor, mas sim as características genéticas e moleculares, sendo bastante mais preciso quando o exame do microscópio é insuficiente para o diagnóstico (leia mais sobre esse tema aqui).

Uma outra estratégia é buscar alvos para serem atacados com remédios, independente do tipo de tumor. Esta é uma estratégia bastante promissora no tratamento dessas pessoas. A lógica é “eu não preciso saber de onde o tumor veio, eu preciso saber qual remédio funciona”. Existem hoje disponíveis alguns testes genéticos que ajudam na escolha desses tratamentos, como o teste de empresas como a Foundation Medicine. Esta estratégia já foi avaliada em alguns estudos clínicos com resultados bastante encorajadores.

O conhecimento da biologia do câncer tem tornado possível não só a melhoria do tratamento com também a melhoria do diagnóstico e compreensão do câncer.

Gostou da matéria? Visite aqui nossa página no Facebook. Não esqueça de curtir a página para saber de todas as atualizações do blog! Compartilhe essa informação com alguém que possa estar precisando dela!

Deixe uma resposta