Conheça o papel fundamental do enfermeiro especialista em oncologia no tratamento dos pacientes com câncer

Oncologia é uma área da medicina que requer um cuidado multidisciplinar. Para que um tratamento seja feito com sucesso é necessário que se trabalhe em equipe com um grande número de especialistas das mais diversas áreas da saúde. Veja no texto abaixo o papel fundamental do enfermeiro especialista em oncologia no tratamento dos pacientes com câncer. Texto elaborado por Iracema Coelho, enfermeira do Centro de Oncologia do Hospital Albert Einstein.

O enfermeiro oncológico é o profissional que vai prestar assistência ao paciente, em todas as fases do tratamento do câncer. Desde o diagnóstico da doença, passando pelas várias fases do tratamento como a cirurgia, a radioterapia, e o tratamento com medicamentos e quimioterapia. A oncologia é uma área muito específica, portanto é importante que os enfermeiros tenham formação de especialista na área e que estejam sempre se atualizando.

Além de prestar assistência, o enfermeiro oncologista tem outras atribuições, como tomar providências administrativas para a liberação e agendamento dos procedimentos de tratamento além de ter papel educacional, orientando tanto o paciente quanto os familiares durante o tratamento.

No dia-a-dia da assistência o enfermeiro recebe o paciente após a decisão de tratamento pelo médico oncologista. Neste momento o paciente é acolhido pelo enfermeiro que realiza a conferência do protocolo de tratamento, checando informações como o peso e altura, doses de medicações e medicações de suporte para a quimioterapia, conhecidas com “pré-QT”. Isto garante uma maior segurança na administração dos protocolos de tratamento.

Um aspecto muito importante para o tratamento é a escolha de dispositivo para a infusão dos quimioterápicos que serão feitos pela veia. Nesta avaliação o enfermeiro avalia as veias do paciente, e junto com a equipe médica, escolhe a melhor opção para a aplicação dos medicamentos. Algumas medicações podem ser feitas nas veias superficiais dos braços ou das mãos, por cateteres que chamamos de periféricos; já outros medicamentos precisam de veias mais fortes, sendo necessária a colocação de cateteres profundos. A escolha depende do tipo de tratamento e das veias de cada pessoa.

A maior parte das vezes o tratamento é feito no ambulatório. O paciente vem ao hospital apenas para a aplicação do medicamento e retorna para casa no mesmo dia. Quando o paciente chega ao centro de infusão, é realizada uma consulta inicial de enfermagem, onde são coletadas todas as informações relevantes para o tratamento e também são dadas as orientações importantes ao paciente e acompanhante, como possíveis efeitos colaterais dos medicamentos, coleta de exames, cuidados com cateter, como realizar os agendamentos, o que muda no dia-a-dia do paciente durante o tratamento, quando entrar em contato com a equipe médica ou quando e como procurar um pronto atendimento em caso de necessidade.

Realiza-se também um exame físico geral e analisa-se a necessidade de avaliação e acompanhamento de outros profissionais, como psicólogos, dentistas, fonoaudiólogos, etc. Após realizar esta consulta inicial, o enfermeiro fornece todas as orientações e esclarece as dúvidas, para então dar início ao tratamento.

Tão importante quanto os medicamentos quimioterápicos, é o controle e manejo dos sintomas colaterais; que podem ser determinantes para o sucesso e continuidade do tratamento. É importante estar atento à prevenção e controle destes sintomas indesejados.

Equipe de Multidisciplinar de Oncologia do Hospital Albert Einstein

Equipe de Multidisciplinar de Oncologia do Hospital Albert Einstein

 

Atualmente, com o avanço das pesquisas, há no mercado uma ampla gama de opções de tratamento de suporte que amenizam os transtornos causados pelos quimioterápicos como, por exemplo, os medicamentos para enjôo de última geração, que podem reduzir significativamente o surgimento de náuseas. O uso da touca gelada para diminuir a queda de cabelo, pode ser uma opção, principalmente para pacientes do sexo feminino, que buscam manter a autoestima.

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Equipe de Multidisciplinar de Oncologia do Hospital Albert Einstein na festa de aniversário do Centro de Oncologia

 

O enfermeiro oncológico atua não apenas durante o período da quimioterapia, a assistência é integral também durante o tratamento radioterápico (caso este seja necessário); onde o enfermeiro também intervém fazendo a avaliação pré-tratamento, acompanhamento durante a radioterapia e orientando após o fim deste tratamento. Caso seja necessária a internação hospitalar, quer seja para tratamento quimioterápico, ou para controle dos sintomas, a equipe de enfermagem oncológica acompanha o paciente durante todo este período. Tanto para o paciente ambulatorial, quanto para o paciente internado, existe enfermeiro especializado em curativos para pacientes com câncer, caso haja essa necessidade.

O enfermeiro é provavelmente o profissional com o qual o paciente tem mais contato durante o tratamento. Por isso é muito comum que o enfermeiro seja o primeiro profissional a reconhecer possíveis alterações clínicas ao longo do tratamento, podendo detectar problemas quando ainda estão em sua fase inicial, mesmo que não sejam ainda notados pelo paciente. É o enfermeiro que faz, muitas vezes, o primeiro alerta dentro da equipe assistente, para que se avaliem possíveis problemas ao longo do tratamento.

O enfermeiro oncologista é um elo fundamental no tratamento multidisciplinar dos pacientes com câncer, trabalhando em conjunto com os demais profissionais e assim promovendo uma assistência integral e de qualidade aos pacientes.

Iracema Coelho - Enfermeira do Centro de Oncologia do Hospital Albert Einstein

Iracema Coelho – Enfermeira do Centro de Oncologia do Hospital Albert Einstein

 

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