Material elaborado pela equipe do Hospital Israelita Albert Einstein sobre os principais estudos discutidos durante o congresso americano. Este texto é um resumo rápido de todos os trabalhos apresentados no congresso. O linguajar é bastante técnico e pode ser complicado para quem não está acostumado com os termos médicos. Caso tenham dúvidas me deixem uma mensagem ou comentário na página do facebook, clicando aqui.

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Overall survival (OS) in patients (pts) with platinum-sensitive relapsed serous ovarian cancer (PSR SOC) receiving olaparib maintenance monotherapy: An interim analysis. (Abstract 5501, Study 19 ASCO 2016)
A terapia de manutenção com uma droga chamada olaparibe (inibidor da PARP) aumentou sobrevida livre de doença (PFS), assim como o tempo até a primeira e segunda terapia subsequentes (TFST e TSST), ou sobrevida quando comparado com placebo em pacientes com câncer de ovário recidivado sensível a platina. Os pacientes que responderam à platina recebiam olaparibe 400 mg 2 x ao dia ou placebo. Pacientes com presença de mutação de BRCA1/2 (BRCAm), tiveram ainda maior benefício da droga. A análise apresentada anteriormente não mostrava benefício de sobrevida global (OS), no entanto com esses dados mais maduros conseguiu se comprovar um benefício de OS e muitos pacientes ficaram por um tempo longo na terapia de manutenção. Esse trabalho também confirma os resultados anteriores que mostravam aumento de PFS, TFST e TSST com olaparibe.

OV21/PETROC: A randomized Gynecologic Cancer Intergroup (GCIG) phase II study of intraperitoneal (IP) versus intravenous (IV) chemotherapy following neoadjuvant chemotherapy and optimal debulking surgery in epithelial ovarian cancer (EOC). (Abstract LBA 5503 ASCO 2016)
O objetivo desse estudo era avaliar se mulheres que recebiam terapia neoadjuvante com quimioterapia seguida de cirurgia citorredutora ótima se beneficiariam de terapia adjuvante adicional com quimioterapia intraperitoneal (IP), ou intravenosa (IV), após a cirurgia. A conclusão do estudo é de que o regime baseado em carboplatina IP pós-quimioterapia neoadjuvante e cirurgia citorredutora foi bem tolerado e associado a um menor número de pacientes em progressão no 9º mês de avaliação.

Multicenter phase II study of intraperitoneal carboplatin plus intravenous dose-dense paclitaxel in patients with suboptimally debulked epithelial ovarian or primary peritoneal carcinoma. (Abstract 5504 ASCO 2016)
Apesar da quimioterapia intraperitoneal (IP), com cisplatina e paclitaxel demonstrarem melhor sobrevida para pacientes com câncer de ovário EC III que tiveram cirurgia citorredutora ótima, ela ainda não tem uma aceitação boa devido a suas potenciais complicações. Paclitaxel dose dense e carboplatina (ddTC), também aumentou sobrevida comparado a carboplatina e paclitaxel, no entanto a combinação dessas duas terapias ainda não tinha sido avaliada de maneira prospectiva. Portanto pacientes com estágio II-IV de ovário ou primário de peritoneo que haviam feito cirurgia citorredutora, previamente receberam a combinação da terapia IP com ddTC (ddTCip). A conclusão do estudo é de que o protocolo é seguro e eficaz mesmo para pacientes com citoredução subótima. Já existe um estudo de fase 3 comparando ddTCip e ddTC em andamento e aguardaremos os resultados.

Hormonal maintenance therapy for women with low grade serous carcinoma of the ovary or peritoneum. (Abstract 5502 ASCO 2016)
Apesar de quimioterapia adjuvante baseada em platina continuar sendo o tratamento padrão para mulheres com diagnóstico recente de carcinoma seroso de ovário/peritoneo de baixo grau (LGSC), a literatura sugere que essa patologia pode ser quimio resistente. O objetivo desse estudo (coorte retrospectivo), então foi conferir o benefício de terapia de manutenção hormonal (HMT), comparado com observação (SURV), após o tratamento primário. Os pacientes com estágio II-IV de LGSC tratados com cirurgia citorredutora acompanhada de quimioterapia baseada em platina que não tinham recorrido durante a quimioterapia recebiam HMT de manutenção ou SURV. Apesar da natureza retrospectiva do estudo, mulheres que receberam HMT de manutenção tiveram um aumento significativo de sobrevida livre de progressão comparadas com as que receberam SURV. Esses achados exigem um estudo prospectivo que confirmem o dado.

The MITO8 phase III international multicenter randomized study testing the effect on survival of prolonging platinum-free interval (PFI) in patients with ovarian cancer (OC) recurring between 6 and 12 months after previous platinum-based chemotherapy: A collaboration of MITO, MANGO, AGO, BGOG, ENGOT, and GCIG. (Abstract 5505 ASCO 2016)
Sobrevida livre de doença (PFS) esta relacionada a melhor prognóstico em pacientes com câncer de ovário (OC). Há tempos que se acredita que aumentando o intervalo livre de platina (PFI), mesmo que artificialmente, através da introdução de uma quimioterapia não baseada em platina (NPBC), pode aumentar a sensibilidade ao próximo tratamento com platina. Pacientes com OC, com uma ou duas quimioterapias prévias, com recorrência de seis a 12 meses após quimioterapia baseada em platina (PBC), foram randomizados a receber NPBC (doxorrubicina lipossomal ou topotecano, gemcitabina), seguido por carboplatina/paclitaxel ou carboplatina/gemcitabine na progressão. Esse estudo, MITO8, foi fechado precocemente devido ao recrutamento abaixo do desejado e mostrou que o aumento artificial do PFI através da introdução de NPBC não melhora e ainda piora o prognóstico de pacientes com OC parcialmente ainda sensíveis a platina.

Performance characteristics and stage distribution of invasive epithelial ovarian/tubal/peritoneal cancers in UKCTOCS. (Abstract 5507 ASCO 2016)
Esse é um estudo que mostra o panorama e performance das estratégias de rastreamento e distribuição por estadiamento dos cânceres epiteliais de ovário, tuba e peritoneo (iEO/T/PP). Mulheres em pós-menopausa eram randomizadas para receber rastreamento anual multimodal (MMS), usando o algorítmo de risco de câncer de ovário (ROCA), ou ultrasom (USS), ou nenhum rastreamento, grupo controle (C). Nos grupos onde houve algum rastreamento, a porcentagem de mulheres detectadas com pequeno volume de doença (LVD), estadiamento I/II/IIIA foi aproximadamente o dobro das não-rastreadas. No entanto, quando se analisa todos os cânceres detectados (iEO/T/PP) a diferença só se mantém significativa quando comparada com MMS. Isso confirma os resultados observados anteriormente de redução de mortalidade com MMS no UKCTOCS.

Phase II study of everolimus, letrozole, and metformin in women with advanced/recurrent endometrial cancer. (Abstract 5506 ASCO 2016)
A combinação de everolimus com letrozol tem demonstrado resultados promissores no tratamento do câncer de endométrio, endometrióide recorrente (EEC). A associação de metformina pode aumentar essa resposta, especialmente na presença de uma mutação no gene KRAS. Esse estudo mostra que a combinação dessas três drogas (everolimus, letrozol e metformina), leva a um benefício clínico para esses pacientes com EEC de até 67% (resposta completa, parcial ou doença estável).

Baseline quality of life (QOL) as a predictor of stopping chemotherapy early, and of overall survival, in platinum-resistant/refractory ovarian cancer (PRROC): The GCIG symptom benefit study (SBS). (Abstract 5508 ASCO 2016)
Esse estudo foi interessante, pois avaliou características dos pacientes, como por exemplo, a qualidade de vida e características clínicas associadas à sobrevida global e a suspensão precoce do tratamento. Condições de saúde global (GHS), funcionalidade física (PF), funcionalidade geral (RF), e sintomas abdominais/ gastrointestinais foram considerados fatores preditivo independentes para sobrevida global e foram significativamente associados com a interrupção precoce da quimioterapia. Ou seja, fatores simples, como avaliação de qualidade de vida, poderia nos ajudar a identificar pacientes com câncer de ovário resistente ou refratário à platina que provavelmente não vão se beneficiar de quimioterapia paliativa.

Pembrolizumab in patients with advanced cervical squamous cell cancer: Preliminary results from the phase Ib KEYNOTE-028 study. (Abstract 5515  ASCO 2016)
A mediana de sobrevida de paciente com câncer de colo de útero metastático é de aproximadamente sete meses, apesar dos tratamentos realizados. Esse é um estudo de fase 1b que avalia a segurança e eficácia de pembrolizumabe (anticorpo anti–PD-1), em pacientes com câncer de colo de útero que falharam a terapias prévias. Pembrolizumabe foi uma terapia bem tolerada e mostrou eficácia promissora especialmente em pacientes com positividade para PD-L1. O benefício dessa droga em câncer de colo de útero ainda será investigada no estudo de fase 2 KEYNOTE-158.

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