O câncer de ovário é um dos cânceres ginecológicos mais comuns em mulheres na pós-menopausa em países desenvolvidos. No Brasil, esperam-se em torno de 6000 novos casos todos os anos.

Câncer de ovário é o câncer ginecológico mais comum na pós-menopausa.

Câncer de ovário é o câncer ginecológico mais comum na pós-menopausa.

Um dos mais importantes fatores de risco para câncer de ovário é a mutação do BRCA. O risco de desenvolvimento de câncer de ovário, ao longo da vida, é de quase 50% para pessoas que têm essa mutação. A função do gene BRCA é codificar uma proteína responsável por corrigir erros do DNA, que ocorrem ao acaso e naturalmente ao logo da vida das pessoas, pela replicação das células e agentes externos, como radiação. Quando o gene está mutado a proteína para de funcionar e esses erros vão se acumulando nas células ao longo do tempo, aumentando o risco de câncer. Este é o mesmo gene que está associado ao risco elevado de câncer de mama, que pode chegar a 80% ao longo da vida (leia aqui uma matéria sobre isso). No entanto, esta é uma mutação rara, ocorrendo em uma em cada 1000 pessoas.

O Niraparib é um medicamento que age bloqueando outro mecanismo de conserto do DNA. Quando o Niraparib é usado em pessoas que têm câncer relacionado à mutação do BRCA, dois mecanismos de correção dos erros do DNA ficam sem funcionar, um pela mutação do BRCA em si e o outro pelo bloqueio pelo medicamento. Com isso há um grande acúmulo de erros e a célula cancerígena entra em colapso e morre.

Nesta imagem se observa o DNA com um defeito. Este defeito é corrigido pela enzima conhecida como PARP. Os medicamentos inibidores de PARP como o Niraparib e Olaparib impedem que esse erro seja consertado na célula cancerígena, levando ao colapso e morte destas células.

Nesta imagem se observa o DNA com um defeito. Este defeito é corrigido pela enzima conhecida como PARP. Os medicamentos inibidores de PARP como o Niraparib e Olaparib impedem que esse erro seja consertado na célula cancerígena, levando ao colapso e morte destas células.

 

Num estudo recente, Niraparib foi dado para pessoas que tinham feito pelo menos dois tratamentos com esquema de quimioterapia com platinas (um tipo de medicamento altamente eficaz contra o câncer de ovário). Quando o tratamento com platina terminava metade das pessoas usava niraparib e a outra metade ficava em acompanhamento clínico, sem usar nenhum medicamento (leia aqui o estudo na integra ).

O uso de Niraparib quadruplicou o tempo de controle da doença, que passou de 6 meses para quase dois anos, nas mulheres que tinham a mutação do BRCA. Mesmo em mulheres que não apresentavam a mutação, o tratamento com Niraparib aumentou de maneira significativa o controle do câncer de ovário. O tratamento com Niraparib foi bem tolerado, houve poucos efeitos colaterais significantes, e com a vantagem de ser administrado em comprimidos. As mulheres iam ao hospital apenas para fazer os exames de controle a cada três ou quatro semanas.

Este é o segundo medicamento desta classe (inibidores de PARP) que se mostrou eficaz em controlar o câncer de ovário, o primeiro foi o medicamento Olaparib (leia aqui sobre ele). Este resultado mostra que medicamentos que atuam nos pontos fracos dos tumores podem prolongar por muito tempo o controle da doença, com poucos efeitos colaterais e com a comodidade de serem administrados em casa por comprimidos.

Nesta imagem outro medicamento desta classe, o Olaparib, interfere com a correção dos erros do DNA da célula cancerígena.

Nesta imagem outro medicamento desta classe, o Olaparib, interfere com a correção dos erros do DNA da célula cancerígena.

 

Os próximos passos são a avaliação deste medicamento em outras situações, como após a cirurgia para o câncer de ovário, com o objetivo de aumentar o índice de cura e logo após o primeiro tratamento com platinas. Estamos acompanhando as pesquisas. Com o avanço do conhecimento da biologia do câncer esperamos ter muitos outros medicamentos como esse no futuro.

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