Osimertinib – Novo medicamento em comprimidos para câncer de pulmão duplica o tempo de controle da doença.

O tratamento do câncer de pulmão tem avançado de maneira importante e com muita rapidez nos últimos anos. Isto tem acontecido porque estamos descobrindo cada vez mais sobre as características da doença e seus pontos fracos, assim é possível desenvolver medicamentos que explorem essas fraquezas (leia mais aqui sobre a descoberta das mutações em câncer de pulmão). Os novos medicamentos, além de serem mais eficazes no combate ao câncer de pulmão, têm menos efeitos colaterais, e uma boa parte deles pode ser administrada em comprimidos.

Este é o caso do medicamento Osimertinib, um medicamento em comprimidos contra o câncer de pulmão com mutação do EGFR. Um estudo apresentado no último congresso de câncer de pulmão em Viena demonstrou grande superioridade deste medicamento em relação à quimioterapia com os medicamentos mais antigos. No entanto, o medicamento age apenas em uma mutação específica do câncer de pulmão, conhecida com EGFR.

Em torno de 25% a 50% das pessoas com câncer pulmão têm uma mutação do EGFR, que é uma espécie de “antena” das células. Esta “antena” tem a capacidade de perceber sinais que estimulem o crescimento. Por exemplo, nas células normais, quando há um corte na pele, a célula danificada libera uma substância para estimular o crescimento das células ao seu redor, e assim fechar o corte. O EGFR é a “antena” que capta este sinal e estimula o crescimento.

No câncer de pulmão com mutação no EGFR, a “antena” está danificada, e estimula o crescimento do tumor, mesmo não havendo nenhum sinal externo que indique o crescimento. O osimertinib, assim como vários outros medicamentos dessa classe, tem a capacidade de “desligar” o EGFR, assim o sinal de crescimento é interrompido, e a célula cancerígena morre.

Imagem que representa as “antenas” que percebem os sinais de crescimento e a ação do medicamento Tagrisso (nome comercial do Osimertinib). O medicamento se liga apenas quando há a mutação do EGFR. Caso esta alteração não esteja presente é necessário usar outros medicamentos.

 

No estudo apresentado neste congresso, o medicamento osimertinib era dado para pessoas que já tinham feito um tratamento anterior com outro medicamento da mesma classe, e o medicamento tenha parado de funcionar. Era então feita uma nova biópsia do tumor, era retirado um novo fragmento, que era enviado para o laboratório de patologia. Caso houvesse a mutação do EGFR T790M (o alvo do medicamento), o osimertinib poderia ser utilizado. Isto acontece em 60% das pessoas (caso não haja a mutação não adianta utilizar este medicamento).

Foi demonstrado que o tempo de controle do câncer de pulmão mais que duplicou em relação ao tempo de controle conseguido com os medicamentos cisplatina e pemetrexed. Este é um resultado extremamente importante e muda o modo como trataremos o câncer de pulmão no futuro. O osimertinib ainda não está disponível no Brasil, e hoje só pode ser adquirido por importação. Como os resultados de tratamento são expressivos, esperamos tê-lo em breve.

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