Câncer de mama hormônio positivo – Tratar por 5 ou 10 anos?

Em torno de 80% das mulheres que são diagnosticadas com câncer de mama apresentam uma doença com positividade para receptores hormonais. Isto significa que a célula cancerígena é capaz de perceber os hormônios circulantes e crescer estimulada por eles (veja aqui uma matéria sobre os diferentes tipos de câncer de mama, e aqui uma matéria sobre cânceres ductais e lobulares da mama). Por isso uma estratégia de tratamento utilizada desde a década de 1970 é bloquear a ação dos hormônios femininos nas células da mama (leia aqui uma matéria sobre os medicamentos utilizados no tratamento do câncer).

O primeiro medicamento usado com este intuito foi o tamoxifeno. Ele funciona se ligando ao receptor hormonal, impedindo que a ligação de receptor com o estrogênio. Mal comparando seria como se colocássemos uma cola dentro da fechadura (o receptor de estrógeno) de modo que a chave (o estrogênio) não pudesse ser mais encaixada. A segunda classe de medicamentos são os inibidores da aromatase, que impedem a fabricação de estrogênio nas glândulas suprarrenais e gordura. Estes medicamentos só podem ser usados para mulheres na menopausa visto que os medicamentos não são fortes o suficiente para impedir a fabricação de hormônios nos ovários. E o terceiro grupo é representado pelo fulvestranto, que age se ligando ao receptor hormonal causando sua degradação, logo o estrogênio não tem como se ligar a nada.

A decisão de tratamento sempre deve ser conversada entre o médico e o paciente.

 

Os primeiros estudos com tamoxifeno depois da cirurgia utilizavam tempos mais curtos de tratamento, de um a dois anos. Conforme fomos aprendendo mais, este tempo foi aumentado para 5 anos. Hoje já temos 3 estudos que testaram o uso por mais de 5 anos. Os estudos ATLAS e ATTOM avaliaram aumentar esse tempo para 10 anos enquanto o estudo MA17R avaliou prolongar por 10 a 15 anos modificando o tipo de tratamento hormonal.

Quando nós observamos os dados de maneira geral todos os estudos apontam para uma melhora discreta nos índices de cura, quando aumentamos o tempo de tratamento. Isto significa que todas as mulheres devem fazer um tratamento mais prolongado a partir de agora? Não necessariamente, vamos avaliar porquê.

Estes estudos foram feitos com muitas mulheres, algumas tinham cânceres maiores e de crescimento mais rápido, enquanto outras tinham cânceres menores e de crescimento mais lento. Quando nós dividimos os resultados entre esses dois grupos, fazia pouca diferença o aumento do tratamento em mulheres com tumores muito pequenos, enquanto que para mulheres com tumores maiores, havia mais benefício.

Estes tratamentos, apesar de não terem efeitos colaterais muito intensos como a quimioterapia, também podem causá-los. Logo a escolha do tempo de tratamento depende de uma avaliação muito detalhada, criteriosa e bem discutida entre a mulher em tratamento e seu médico, pesando os benefícios esperados do tratamento e os efeitos colaterais deles.

Caso haja fatores que nos sugiram que o risco no começo da doença era mais alto, como presença de linfonodos na axila positivos, tumores maiores, tumores com maior replicação celular (leia mais sobre isso aqui) há mais fundamento para se pensar na continuação do tratamento por mais de 5 anos. Outra maneira de avaliar é pelo ponto de vista dos efeitos colaterais, caso o tratamento esteja sendo bem tolerado, e não venha trazendo maiores complicações na vida da mulher pode-se pensar em continuar o tratamento. Estas duas maneiras de interpretar os dados  têm sido uma tendência em discussões em congressos nacionais e internacionais.

O importante nesta avaliação é estar próxima do seu médico e discutir abertamente os riscos e benefícios em cada caso especificamente.

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