A medicina passou por muitos avanços desde o desenvolvimento dos primeiros tratamentos. Já no Egito antigo haviam descrições de tratamentos contra o câncer, porém só houve realmente progresso nessa área no final no século 19, com a melhoria das técnicas cirúrgicas e primeiros tratamentos com radioterapia. Posteriormente, em meados do século 20 se desenvolvem os primeiros medicamentos para o tratamento do câncer (leia mais aqui).

No começo destas pesquisas havia uma busca por uma substância que fosse capaz de tratar toda e qualquer doença, uma espécie de tratamento universal do câncer. Este é um desejo antigo da humanidade. Desde os tempos medievais os primeiros alquimistas procuravam criar a pedra filosofal, uma substância que seria capaz de transformar qualquer metal em ouro, e além disso curar qualquer doença. Alguns até buscavam a vida eterna.

Conforme fomos estudando mais o comportamento das células normais e das células cancerígenas fomos aprendendo que somos todos diferentes. O DNA é uma substância presente no núcleo das células de todos os seres vivos. Esta molécula contém toda a informação necessária para a formação e reparo destes seres, sejam eles animais, vegetais ou bactérias. O DNA, mal comparando, seria como um livro de instruções, de acordo com o que for escrito, ele pode contar diferentes histórias, ou seja, ele pode formar diferentes formas de vida.

Novos testes genéticos têm mudado a maneira como tratamos cada pessoa.

 

Dentro da mesma espécie de animal ou vegetal existe bastante semelhança nas informações do DNA. Todos temos dois braços, duas pernas, um nariz, e por aí vai. No entanto existem pequenas diferenças no DNA humano que fazem com que exista tanta variabilidade entre pessoas diferentes, umas baixas outras altas, diferentes cores de pele e cabelo, formato do rosto e todas as outras características.

O câncer é uma doença que se origina de defeitos no DNA das nossas próprias células. Não é de se espantar, portanto, que um tratamento possa funcionar bem para uma pessoa e funcionar mal para outra. Essas pequenas variações entre o DNA das células cancerígenas de duas pessoas, com o mesmo tipo de câncer, podem ser responsáveis por isso.

Nós classificamos estas variações defeituosas no DNA como mutações. Por vezes essas mutações podem causar crescimento e proliferação acelerado das células, isto é uma das principais caraterísticas, um dos principais defeitos, encontrados nas células cancerígenas (leia mais sobre as características do câncer). Estas mutações podem ser herdadas do pai ou da mãe, são o que nós classificamos como mutações germinativas. Outras vezes são adquiridas ao longo da vida, por diversos motivos como cigarro, poluição, agrotóxicos, radiação solar, ou mesmo radiação vinda do próprio planeta Terra ou radiação cósmica do espaço. Essas mutações são chamadas de mutações somáticas.

Sabendo-se disso a pesquisa médica voltou-se para tentar entender qual é o papel de cada mutação no desenvolvimento do câncer. Identificar qual foi a mutação responsável pelo surgimento do câncer, de cada pessoa, é um dos mais importantes objetivos médicos para melhorar os resultados do tratamento, com o mínimo de efeitos colaterais.

A identificação das mutações específicas do câncer de cada paciente permite administrar medicamentos mais eficientes e com menos efeitos colaterais. Esta já é uma realidade para muitas doenças e se tornará cada vez mais comum no futuro.

 

Hoje nós sabemos que existem pessoas com câncer de pulmão que têm mutações em locais diferentes do DNA, como o EGFR, ALK, ROS1, BRAF, C-MET, RET, HER2, etc (leia aqui uma matéria sobre mutações em câncer de pulmão). Algumas mulheres com câncer de mama apresentam hiperexpressão de HER2 (leia mais sobre a doença aqui, e sobre os novos tratamentos aqui), outras podem herdar um gene dos pais, o BRCA (leia mais), que aumenta em muito as chances de desenvolvimento de câncer de mama e ovário no futuro. Algumas pessoas com melanoma têm mutação do BRAF V600, em câncer de intestino podem ocorrer mutações do RAS e do BRAF (leia mais sobre tratamento do melanoma com mutação de BRAF). Em tumores cerebrais podem ocorrer mutações de MGMT, IDH e translocações 1p19q.

O conhecimento destas mutações tem ajudado muito no desenvolvimento de novos medicamentos e já está disponível na prática clínica para uso em algumas situações. Laboratórios como o Idengene (visite aqui o site)  disponibilizam testes para avaliar a presença de mutações somáticas (adquiridas durante a vida) ou mutações germinativas (herdadas dos pais). Estes exames têm ajudado em alguns casos a escolher o melhor tratamento para a melhor pessoa, baseado nas características genéticas de cada tumor ou ainda permitir medidas de redução de risco nos casos de pessoas com síndromes de câncer hereditário.

A identificação dos detalhes da doença de cada pessoa já trouxe melhoras importantes para o tratamento do câncer e promete refinar cada vez mais o modo como vamos tratar o câncer no futuro. Este é o objetivo da medicina personalizada.

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