Em aproximadamente 20% dos novos casos de câncer de mama existe a amplificação de uma proteína chamada HER2 (Human Epidermal Growth Fator Receptor 2). A presença desta característica faz com que as pacientes com câncer de mama com essa amplificação apresentem uma doença mais agressiva, com chances de cura reduzida se não tratadas corretamente.

HER2 é uma proteína normal presente em várias células do corpo, no entanto neste tipo de câncer de mama (hoje conhecido como câncer de mama HER2 positivo) o número destas proteínas é muito maior, passando de alguns milhares por célula para muitos milhões.

Trastuzumab é anticorpo desenvolvido no final dos anos 90, semelhante ao produzido pelo nosso próprio sistema imunológico, que tem como alvo a proteína HER2. Quando ele é administrado no sangue ele tem a capacidade de se ligar a esses receptores e “desligar” o estímulo para crescimento do câncer. Além disso, ele também sinaliza onde está a doença, desta maneira o próprio sistema imunológico é capaz de identificar as células do câncer e destruí-las. Este medicamento reduziu pela metade o risco de morte em câncer de mama HER2 positivo e como ele é guiado somente para as células que tenham amplificação do HER2 os efeitos colaterais são muito pequenos em relação à quimioterapia citotóxica convencional.

Representação de um anticorpo se ligando a um alvo na superfície da célula

Representação de um anticorpo se ligando a um alvo na superfície da célula

Hoje dois novos anticorpos foram desenvolvidos para esse mesmo alvo. O primeiro é chamado Pertuzumab (PerjetaTM) e o segundo Ado-Trastuzumab Emtansine (KadcylaTM). Pertuzumab foi testado em combinação com trastuzumab e quimioterapia em pacientes com câncer de mama em fase avançada. A combinação aumentou dramaticamente o tempo de controle de doença aumentando também a expectativa de vida dessas pacientes.

Mecanismo de ação do anticorpo - depois do anticorpo se ligar no alvo as células de defesa (Phagocyte) identificam a célula do câncer e a destroem.

Mecanismo de ação do anticorpo – depois do anticorpo se ligar no alvo as células de defesa (Phagocyte) identificam a célula do câncer e a destroem.

O Ado-Trastuzumab Emtansine (KadcylaTM), também conhecido como T-DM1, é um tipo de anticorpo que age por um mecanismo que pode ser comparado ao cavalo de Tróia. O anticorpo é conjugado com uma quimioterapia extremamente potente, o emtansine. Este é um medicamento tão agressivo que não pode ser feito na veia por conta de seus efeitos tóxicos. Porém no KadcylaTM algumas partículas de emtansine são “coladas” ao anticorpo trastuzumab. Depois de administrada no sangue os anticorpos se ligam às células de câncer de mama, em seguida liberando o medicamento diretamente dentro do tumor, como uma “bomba teleguiada”.

Estrutura do trastuzumab emtansine - Pequenas partículas de quimioterapia (cytotoxic agent) são acopladas ao anticorpo levando o medicamento diretamente ao tumor.

Estrutura do trastuzumab emtansine – Pequenas partículas de quimioterapia (cytotoxic agent) são acopladas ao anticorpo levando o medicamento diretamente ao tumor.

Estas duas medicações estão disponíveis e aprovadas para uso diário. Contando com trastuzumab existem hoje 3 anticorpos que podem ser usados no tratamento do câncer de mama HER2 positivo, aumentando as opções de tratamento, o controle da doença e a cura do câncer de mama.

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